Aquele velho maluco

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Eu o conheci no Café Central, foi num fim de tarde qualquer, enquanto saboreava meu blend predileto.

No canto do balcão, perto da parede, numa posição quase imperceptível, jazia a figura de um homem, visivelmente desgastado pela vida, trajando uma vestimenta igualmente desgastada.

Ele parecia um mendigo, mas não um mendigo comum, seu porte era de certa forma imponente, cheio de dignidade, parecia emanar uma aura, um brilho, e seu comportamento não era o de uma pessoa perturbada, pelo contrário, ele agia como qualquer pessoa “comum” agiria naquela situação.

Perguntei ao barista sobre ele, e descobri que a estranha figura costumava frequentar o Café em horários de pouco movimento, sempre em busca do lanche gratuito que a casa oferecia.

Isso despertou minha curiosidade, pois eu jamais pensei naquelas pessoas, no tipo de vida que elas levam, como sobrevivem, porque estão na rua. Decidi me aproximar.

– Boa tarde senhor, posso lhe oferecer uma fatia de bolo ou algo assim?

– Agradeço imensamente, mas a casa já dispõe desse tipo de refeição graciosamente.

Sua dicção era perfeita, seu tom de voz demonstrava pleno controle da situação, ele não parecia se importar com mais nada naquele momento, a não ser em apreciar seu espresso.

– Desculpe-me, só pensei em ajudar alguém desamparado.

Eu não medi minhas palavras antes de responder, então soltei aquela frase odiosa.

– Não se sinta mal, percebo suas boas intenções, o seu único erro foi concluir que estou desamparado. Apesar de meus trajes denunciarem certa condição precária, posso garantir que dentre nós, eu sou aquele que está em melhor situação.

Ao dizer isso ele sorriu levemente. Aquelas palavras não faziam sentido para mim. Como ele poderia estar em melhores condições que eu? Impossível.

– O que o faz pensar que estaria em melhores condições econômicas que eu? Perguntei já com ares de irritação, tamanha a insolência manifesta naquela pergunta.

– Ora, é muito simples: eu sou livre e o senhor não é.

– Isso é um absurdo! Sou um empresário renomado na cidade, posso ir e vir e não devo satisfações a ninguém! Todas as portas da cidade estão abertas para mim!

– Por favor, permita-me provar este ponto. O senhor porta uma valise Herrero Marlé, de couro legítimo, que custa cerca de 5 mil euros. Seu relógio é um Sigmund Imperator, fabricado manualmente, avaliado em 15 mil dólares. Seu reluzente terno é o novíssimo Diogo Faria, e me atrevo a dizer que ele não custou menos de 8 mil.

– Seu carro é um Galaxie Marine GTB II, de 1976. Só fabricaram 90 desses modelos na Áustria, e trazê-lo para cá deve ter custado uma pequena fortuna, além de mais algumas centenas de milhares gastos na aquisição e restauração.

– O senhor trabalha no Edifício Barão do Café, posso ver isso pelo cartão de acesso, lá fica a sede das principais empresas da Cidade, bem no Centro, no coração financeiro, no metro quadrado mais caro do continente.

– Não vejo aliança no seu dedo, então posso concluir que não tem família, ou que a perdeu. Sua barba está impecável, o que denota demasiada preocupação com a aparência. Não usa lentes de contato e nem óculos, e a julgar pelo seu aspecto geral, deve ter entre 40 e 45 anos de idade, isso demonstra que goza de certa estabilidade na saúde.

– Posso ainda especular que o senhor vive num lugar muito caro, cujo custo fixo de manutenção seria proibitivo para 95% das pessoas. Deve ter ainda empregados em casa.

– Ou seja, o senhor é só mais uma pessoa comum, escravizada pelo patrimônio, e de tão pobre que é, só tem dinheiro para dividir com outras pessoas.

Como é possível, aquele velho maluco leu a minha mente? Ele me conhece? Não lembro dele. Será um espião? Ele está me seguindo? Alguém o colocou para me seguir?

– Como o senhor sabe de tudo isso? Quem pensa que é?

– Calma, preciso concluir meu raciocínio. Eu não tenho propriedades, nem pertences muito caros. Não tenho endereço fixo, nem emprego formal, não sou devedor tributário, nem credor de ninguém. Não tenho horários nem deveres diários. Em resumo eu não tenho nada que me prenda a este lugar, sou completamente livre para ir e vir e não devo satisfação a ninguém. Não fosse tudo isso, ainda tenho liberdade para pensar da forma como eu quiser e de expor minha opinião a quem eu quiser.

– Isso é um absurdo, o senhor não é livre, nem tem onde morar, é um sem teto, como pode estar em melhores condições que eu? – Sério, aquela comparação esdrúxula me enfureceu.

– Ora senhor, posso provar meu ponto. É simples. Por favor me acompanhe.

Ele saiu do Café, mas não sem antes agradecer ao barista, tecendo elogios ao blend e recomendando que ele aprendesse sobre uma nova técnica de extração desenvolvida pelos colombianos.

Na calçada ele apontou para o prédio em frente e disse:

– A esmagadora maioria das pessoas não percebe, mas nós vivemos em sociedade por um único motivo: obter vantagens mútuas, para que todas as pessoas alcancem o máximo do potencial humano. E continuou:

– Vê este prédio? O arquiteto que o projetou e o engenheiro que o construiu deixaram nele suas marcas, e este amontoado de materiais, dispostos da maneira e ordem corretas, representa a expressão de um projeto, de um sonho, de uma ideia. Eles não descansaram enquanto o prédio não ficou pronto.

– No dia em que me dei conta disso, percebi que minha vida não tinha qualquer propósito, então levantei de onde estava e saí em busca dele, do motivo, do propósito, do sentido, e desde então me tornei livre, cidadão de lugar nenhum e de todos os lugares. Posso ser quem eu quiser. Estou completamente livre.

As palavras daquele sem teto pareciam ingênuas, mas de alguma forma faziam algum tipo de sentido. Porém eu estava resistente. Eu não havia entendido, ainda.

Após dizer isso ele sorriu, apertou firmemente minha mão e se foi, tão digno e imponente quanto antes parecia.

Passado algum tempo, no mesmo lugar do único encontro que tivemos, perguntei ao barista sobre o velho maluco. Ele me disse que alguém que estivera no café também se aproximou do velho e o chamou para conversar, e depois de cerca de uma hora de papo, essa pessoa convidou o sem teto para dar uma palestra no World Financial Center, em Malibu, nos EUA. Ele disse ainda que nessa ocasião aquele senhor carente fora recebido pelas maiores autoridades no setor de tecnologia global, além dos maiores investidores do mundo.

Procurei por essa informação na internet e descobri que as principais empresas de tecnologia do Vale do Silício o contrataram para gerenciar um projeto de dessalinização da água do mar, cujo resultado seria implementado em vários lugares do planeta, em regiões carentes do mundo todo, com vistas à distribuição gratuita de água.

Aquele velho maluco havia se tornado um raio de esperança na vida das pessoas, ele era realmente livre e se tornou muito maior do que eu jamais seria.

Eu, o maior empresário da cidade, sou tão pobre que não possuo nada além de dinheiro.

Matriz de Einsenhower

Enquanto não desenrolo a historinha descrita nesse post aqui, vamos falar sobre organização.

Apresento-lhes a Matriz de Eisenhower!

Segundo essa fonte aqui, esse nome foi atribuído ao Sr. Eisenhower quando em uma ocasião ele teria dito esta frase:

“O que é importante raramente é urgente, e o que é urgente raramente é importante.”

Na prática é assim: você precisa decidir se determinada tarefa é: a) importante e urgente, b) importante não urgente, c) urgente não importante e d) não urgente não importante.

Após decidir o grau de prioridade dessa tarefa, você poderá se organizar para conclui-la.

Veja o quadro abaixo:

Sem título

Com essa “ferramenta” você pode organizar quase qualquer tipo de tarefa, bem como decidir quando e de que forma realizar cada etapa do trabalho.

Quadro 1 – aqui você coloca aquela atividade que deve ser feita imediatamente, elas precisam de atenção imediata, são realmente urgentes.

Quadro 2 – tarefas de longo prazo ficarão aqui, pois elas são importantes, mas não urgentes. Aqui você desenvolve a estratégia de médio e longo prazo. Essas tarefas não precisam de atenção imediata.

Quadro 3 – é algo urgente, mas não importante. Aqui você pode delegar, pois essa atividade precisa ser realizada, mas não precisa da sua atenção imediata.

Quadro 4 – neste quadrante ficam as atividades não urgente e não importantes. Ideias em estágio embrionário ficam aqui. Projetos futuros, resultados de alguma brain storm, ou ainda aquelas ideias descartáveis.

Bom senso é preciso.

Quando tiver que decidir entre uma tarefa urgente e importante e não urgente e importante, por favor use o bom senso, pois as tarefas não urgentes podem mudar de categoria sem o menor avisa, então fique de olho.

Se você atua em um exército de um homem só, então não pode delegar nada a ninguém. Nesse caso o recomendável é se programar diariamente, preferencialmente pela manhã. Mas se não quiser, pode decidir fazer isso naquele horário do pico de produtividade, que é quando você está no modo de desempenho máximo.

De vez em quando eu posto mais algum artigo sobre organização pessoal. Fiquem ligados.

Dificuldades

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Não estou conseguindo escrever. Tenho a mente cheia da perguntas, de dúvidas, de temas, de possibilidades, de projetos, de perspectivas. Mas não consigo jogar isso “no papel”.

A internet diria: algo de errado não está certo. Eu concordo. Será o tal bloqueio criativo? Acho bem difícil, já que não me considero criativo.

Estou com um texto inacabado, é sobre um jantar na casa de alguém que gosta de cozinhar pros amigos. Não consigo terminar, não vejo como, pois não há nenhum problema descrito ali, só algumas pessoas reunidas para comer.

Preciso sair dessa. Mas esse texto é tão chato, nada acontece. Acho que vou inserir alguém invadindo a casa, ou algum incidente com o vinho, ou algum problema de falta de energia, já sei, sem internet! Não, improvável.

Acho que alguém vai passar mal com a comida e no caminho do hospital algo terrível vai acontecer.

Sei lá, depois eu penso nisso.

Mais um dia

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Olho para o relógio da parede que marca 23:47, constato o fim de mais um dia.

Estou mais perto do fim ou do começo da vida? O dia que agora termina marca o momento mais próximo da morte? Eu sou mais velho do que jamais serei? Ou ainda sou jovem demais para morrer? Essas perguntas me assombram. Onde coloquei meu Rivotril?

Levanto da cadeira do meu escritório e percebo que apenas eu e os seguranças continuávamos ali. Como aquele lugar era diferente durante a noite. Durante o dia os paulistanos mais emocionalmente instáveis se reuniam para resolver os problemas de outros paulistanos igualmente desequilibrados, tudo em nome do vil metal, sempre no afã de obter mais e mais dinheiro.

Arrumo alguns papéis, arquivo outros, desligo meu PC, a cafeteira, o rádio e o ar condicionado. Agora aquele silêncio sepulcral exige se instalar, pois até aquele instante, apenas minha sala esteve fora de seus domínios.

A visão que tenho da ampla janela é linda, do alto do 23º andar do Edifício Barão do Café, bem no centro da cidade. Daqui é possível concluir que esse mar de prédios e ruas, com seu movimento incessante, é o lugar mais incrível e promissor do mundo.

Mas a cidade não me engana, eu a conheço, somos íntimos, sei que em suas ruas o que pulsa não é o progresso e nem a riqueza, mas sim a decadência, a sujeira, o crime, o sexo pago, a corrupção sem fim do Estado.

Eu conheço muito bem essa cidade, e ela me conhece.

Pego minha valise e sigo para o elevador, desembarco no enorme e moderno saguão, cravejado de acessos biométricos, tal e qual um grande cercado tecnológico, reluzente, de aço inoxidável.

Ao escanear minhas digitais o sistema responde com uma voz meiga e suave, me desejando boa noite. O computador tenta imitar uma doce e gentil mulher, pronta para me servir. Porém é só isso, uma máquina, uma inteligência sintética.

A realidade é outra, sei que nenhuma mulher de verdade gostaria de se envolver comigo, não depois do que houve com minha família. Não consigo parar de pensar nisso. Mais Rivotril.

O taxista me aguarda, foi chamado pelo sistema que insistia em me servir. Essas são as vantagens de trabalhar em prédios modernos, com farta tecnologia disponível, onde o ar que respiramos é duplamente filtrado, a água é tratada, os dejetos são destinados corretamente, a produção de energia é independente, e onde há até uma horta para os funcionários. Mas o que eles vendem como tecnologia e comodidade, eu vejo como vigilância 24 horas.

Já no carro, cujo motorista já sabia o destino, eu desejo uma bela xícara de café, bem quente e amargo, bem como a vida, mas a única cafeteria decente da cidade já estava fechada. Precisaria eu mesmo fazer um café.

Em casa sou recebido pelo gato, que faminto exige minha atenção, carinho, comida, mais atenção e mais comida. Os gatos são assim sinceros, eles deixam claro como, quando e o que desejam, e ao final, após servi-los, se tiver sorte, receberá um ronronar, caso contrário nem isso. Eles dão de costas e voltam a dormir.

Eu gosto de gatos, eles são práticos e sinceros. As pessoas deveriam aprender com eles. Preciso de Bourbon, não de café.

O novo dia começou há cerca de 35 minutos e a noite insiste em vender sua imagem de tranquilidade. Eu decido aceitar a oferta.

Tento dormir, mas minha mente sabe de tudo e não permite. Não paro de pensar naquele dia, mesmo tendo me afogado no trabalho pela última década, 15 horas por dia, não consigo, a culpa é maior, mais forte, infinita, me aprisiona. Me perdoem por favor. Mais Rivotril, mais Bourbon.

Algumas horas depois, já pela manhã, o taxista e os analgésicos me aguardam. Aquele sistema do prédio é irritantemente chato e se antecipa, não permitindo que eu escape. Graças a Deus por isso.

Chego no escritório, todos estão lá, sorridentes, asseados, prestativos e felizes, me desejam um ótimo dia, Chefe, se precisar de algo estarei aqui, Chefe.

Dezenas de processos e 15 horas depois, eu olho para o relógio que noticia 23:47.

Menos um dia. Mais um dia.

Maldito sistema. Bendito Rivotril.

Vida acadêmica organizada 2/2

Muito bem, agora que você já se tornou uma pessoa mais organizada e comprometida (pois leu esse artigo aqui), vamos falar de dinheiro, do vil metal.

Espero que alguma das próximas dicas seja útil, e caso você não tenha que se preocupar com renda, bem, leia do mesmo jeito 😉

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Economize. Pelo menos tente!

Como é possível se vestir, beber, comer, se locomover e beber mais um pouco, recebendo um “salário” de estagiário? E ainda por cima nessa crise? Ora, pequeno gafanhoto: fazendo orçamentos!

Mãos na massa. No seu editor de planilhas preferido abra um documento novo e escreva nele: alimentação, transporte, faculdade, lazer, etc. Abaixo de cada item anote o valor que você gasta mensalmente com cada um. Depois organize os itens por prioridade: alimentação, faculdade, transporte, lazer, etc.

Se você ainda vive na sociedade analógica, pegue uma folha de papel e disponha esses itens em forma de linhas e colunas, o resultado será o mesmo.

Com base no seu histórico de consumo, anote o valor gasto em média com cada item. Este é seu orçamento atual.

Quando estiver fazendo isso seja honesto, se não tiver certeza dos valores consulte o extrato da sua conta bancária ou junte os comprovantes do cartão de débito. Se não tiver nada disso, tente anotar os valores que lembrar.

Se não tiver nenhuma informação, tudo bem, comece a marcar tudo o que você gasta a partir de hoje, pois o objetivo aqui é identificar o seu perfil de consumo. Tente juntar informações referentes aos dois últimos meses, para efeito de comparação. Mas seja honesto, caso contrário não vai funcionar.

O próximo passo será reorganizar seus gastos conforme as verdadeiras prioridades. E caso você não saiba, encher a cara 6 vezes por semana não é prioridade. (#cuidadasuavida)

Trate prioridade como prioridade e o resto como resto. Isso vai te ajudar a entender o valor do seu trabalho e esforço[1].

Se você estiver levando sua formação a sério, então há dois grandes pilares que devem ser priorizados: sua saúde e sua formação acadêmica propriamente dita.

No grupo saúde você deve incluir alimentação, descanso, lazer e qualquer outra atividade que possa influenciar, de maneira negativa ou positiva, sua saúde física ou mental.

No grupo formação acadêmica você deve incluir coisas como aquisição de material didático, meios de transporte, além de formas de manter sua disciplina de estudos.

Agora vem a parte chata: comprometa-se a não ultrapassar o limite estipulado para cada setor no orçamento, e se isso acontecer você deve se impor uma multa contratual, se obrigando a fazer retiradas de outros orçamentos menos importantes.

Funciona da seguinte forma: você tomou um porre de José Cuervo e ainda por cima pagou pra toda a mesa, e por isso gastou demais? Vai ficar sem balada até recuperar o equilíbrio financeiro.

(a não ser que alguém que ainda não tenha lido este artigo esteja pagando birita pra galera da mesa, daí será sorte sua kkk)

Garanto que ao fazer orçamentos você conseguirá organizar sua grana e, quem sabe, guardar algum dinheiro fazer uma bela viagem, assistir àquele show, comprar um novo smartphone, ou ainda, e porque não, investir em algum fundo de renda.

Basta se programar, criar o hábito de controlar as finanças e zás!

Cartão de Crédito. 

Se você for como a esmagadora maioria dos estudantes universitários, provavelmente é um duro, quebrado, falido, e vive a dura realidade de ter que escolher entre tirar umas fotocópias na faculdade ou comer um pão na chapa.

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Se você é deste grupo, fique calmo, não desanime, saiba que existem milhares de universitários por aí na mesma situação que você. Ok, talvez não tão quebrados quanto você, mas finja que sim.

Existe uma armadilha utilizada pelas instituições financeiras, ela é conhecida como Cartão de Crédito. Com relação e isso tenho apenas um conselho: cancele-o agora mesmo. Sério. Já. A não ser que você saiba usá-lo, e não estou falando de saber qual é a loja em que ele é aceito.

O cartão de crédito é o nome comercial daquela coisa maligna, inventada pelos inimigos da humanidade para destruir as almas dos gastadores incautos.

Tal instrumento deveria ser chamado de CARTÃO DE DÍVIDAS, pois quando o banco te oferece crédito, na verdade está te empurrando na direção de uma bela dívida, por um longo prazo, com juros de mais de 300% ao ano, e em troca  o banco te entrega um retângulo de plástico que pode ser a chave para um mundo de prazeres desnecessários e passageiros, muitas vezes tão insignificantes e momentâneos que precisas ser fotografados para que sejam lembrados, de tão supérfluos.

Nessa fase da vida saber usar o cartão quer dizer que você não anda com ele na carteira, mas se andar deve entender que seu uso será apenas e tão somente para emergências.

Pense nisso: qual o motivo dos bancos oferecerem cartões de crédito para universitários? Evidente, não é? Ou você acha que o banco está preocupado com o seu futuro, e por ser uma instituição “parça” te oferta uma bela linha de crédito? Fala Sério!

[1] Falando em prioridades, eis minha historinha: quando ingressei na graduação em Direito, eu achava completamente absurdo um advogado cobrar para dar consulta. Eu dizia: Como assim esse cara vai me cobrar para responder uma perguntinha de nada. Então, após ingressar no curso, passados sessenta meses, inúmeras noites não dormidas e longe da família, dias de absoluto stress, maus tratos nas garras de alguns magistrados e funcionários públicos, noites de fome na faculdade e muitos outros percalços, eu entendi que não há nada mais justo que um advogado cobrar para responder “uma simples perguntinha”, então, caro amigo, valorize sua formação acadêmica e aproveite-a ao máximo.

 

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Vida acadêmica organizada 1/2

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Qual aluno de graduação nunca se sentiu perdido em meio ao turbilhão de acontecimentos da vida acadêmica? Junte todas as matérias para estudar, diversos trabalhos para fazer, horas complementares, visitas monitoradas, milhões de cópias xerox, centenas de livros para resenhar … isso sem falar no estágio, no crush, na família, no cachorro, ufa!

É uma carga imensa de tarefas! Por isso decidi escrever um pouco sobre isso, dar algumas dicas que podem ajudar um pouco a amenizar o seu sofrimento.

Compromisso.

Ok, você tem vinte e poucos anos, uma vida social agitada, uma reputação de bebedor a zelar, e o ambiente acadêmico é perfeito para a manutenção dessa fama, afinal de contas ninguém é de ferro… eeeeetretanto… é nesta fase da vida se constrói uma carreira e consequentemente um patrimônio. Por isso leve a sério, estude, comprometa-se!

Comprometa-se com quem você será daqui a dez ou quinze anos, pois esta pessoa de hoje é um projeto, daquela pessoa do futuro. Eu sei, provavelmente, seus pais vivem dizendo algo parecido com isso, talvez até com essas palavras: Não sabe nem quanto custa um quilo de feijão e já fala em ter o próprio carro! Eu sei também que, geralmente, pessoas na casa dos vinte e poucos anos tendem a pensar que sabem de tudo, mas quer saber de uma coisa? Na esmagadora maioria das vezes os pais estão certos.

A juventude deve ser aproveitada sim, mas com compromisso, com limites. Este é o momento de ser egoísta, pensar em si mesmo, de parar de pensar no coletivo (amigos, crush, etc) e verificar se as suas decisões serão para benefício ou prejuízo.

Depois disso tudo, já graduado, trabalhando de verdade, ganhando dinheiro, alguns anos no futuro, você poderá desfrutar de suas conquistas e demonstrar a gratidão que as pessoas amadas merecem.

Se organiza criatura!

Agora que você é uma pessoa comprometida, organização é essencial. Isso parece óbvio, mas muita gente se enrola diante de tantos prazos e tarefas.

A maioria das pessoas usa agendas para fazer anotação de tarefas … ERRADO! Agenda serve para anotar compromisso. E compromisso não é tarefa. Explico: seu professor designou um trabalhinho de casa, coisa fácil, resenhar 15 capítulos do livro X, para entregar na próxima aula.

Fazer a resenha é a tarefa, entregá-la no prazo é o compromisso. A data de entrega você anota na agenda, mas o desenvolvimento da tarefa (que você pode chamar de projeto) deve ser “desenhado” em outro lugar.

Eu usava um quadro branco, anotava lá as tarefas e os passos para terminá-las, e os prazos eu fixava no Gmail, assim todos os dias, no horário determinado, eu era lembrado com um e-mail sobre o meu compromisso de entregar a tarefa.

A vantagem de acompanhar o desenvolvimento da tarefa é combater o desânimo e a procrastinação, quando você enxerga toda a tarefa que há para fazer, inconscientemente se sentirá compelido a realizá-la. Funciona.

Há outras formas de organizar as tarefas, par quem é antenado no mundo virtual e não abre mão da tecnologia, existe uma boa opção, é o ToDoIST, um ótimo serviço de assistente de projetos, que além de ser multi-plataforma também é de graça!

Tem o Evernote, um poderoso repositório de informação pessoal. Também gratuito, nele é possível criar um número ilimitado de cadernos, dentro dos quais é possível criar páginas, nas quais o usuário insere os mais diversos tipos de informação, como notas de voz, fotos, scans, links, textos, vários tipos de arquivos. Completamente multi-plataforma, ele é ótimo para fazer pesquisas acadêmicas, como o temido TCC, pois toda a informação contida nele é pesquisável, e o melhor de tudo: sem limite de armazenamento.

A Microsoft oferece aos assinantes do Office um produto parecido, é o OneNote. Nele é possível criar cadernos, dentro dos quais são inseridas páginas, e dentro delas é possível criar várias notas menores, então ele é um excelente substituto ao caderno universitário feito de papel. Também é possível incluir imagens diversas, alguns tipos de arquivos, criar lembretes, tarefas, projetos e compromissos. Mas o principal é que ele está completamente integrado ao universo Microsoft, ele roda da nuvem, do seu notebook, do tablet, do smartphone, é bem completo.

Eu usei o OneNote em toda a minha graduação, de maneira que eu tenho todas as aulas anotadas, desde as primeiras até o projeto de pesquisa para o TCC. Cheguei a compartilhar matérias até com alguns professores.

Pra quem ainda vive no mundo analógico tem uma dica legal: manter um caderno só para determinada matéria. Ex: se você cursa Direito, irá estudar Direito Civil durante muito tempo, geralmente por 8 semestres, então separe um caderno universitário apenas para esta matéria. Funciona muito bem, principalmente na hora de revisar para a prova.

Centralize todos os seus badulaques de estudante em um só lugar: na mochila. Sério, organizar a mochila é uma arte, conhecida apenas pelos Monges Universitários da Macedônia, #sqn.

Você pode organizar o conteúdo de sua mochila de acordo com seu horário de aulas. Exemplo: na segunda tem aula de Filosofia e de Iniciação Científica, já deixe este material separado em uma pequena pilha sobre a sua escrivaninha. Então quando você sair de casa, basta pegar aquele montinho e colocar na mochila, é super rápido e sem stress. Você usa bolsa? Também funciona.

O que aprendi no curso de Direito

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O que aprendi no curso de Direito?

Após 5 longos e penosos anos na academia de ciências humanas, onde cursei Direito, obtive o grau de Bacharel, mas não antes de algumas solenidades e intrincadas peripécias burocráticas,

Lá aprendi muita coisa realmente útil, refinei meu raciocínio, evoluí como pessoa e me tornei um cidadão melhor.

Mas também aprendi muita coisa realmente inútil. Coisas tão inúteis que algumas eu não fiz esforço algum para lembrar, a não ser direito penal e seus acessórios, que eu fiz sim questão de esquecer o mais rápido possível.

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Bem, vamos aos lamentos.

Dentre outras coisas, durante o curso aprendi estudando o código civil brasileiro (que aliás é considerado o mais moderno do mundo) que tudo o que não for ilícito pode ser resolvido e “sacramentado” por meio de um simples contrato, desde que ele seja feito “nos conformes”, e que as pessoas envolvidas não estejam impedidas. Legal!

Nem tanto, pois caso exista uma outra norma que seja especial e que colida, que interfira com as normas “mais fraquinhas”, o sonho se tornará imediatamente em pesadelo, com direito a monstro e a coisa toda.

Explico: você quer comprar uma casa? Ótimo! Faça um contrato! Mas apenas se o preço da casa não for menor que 30 salários mínimos, (me avise se achar alguma casa nesse preço) caso contrário, você deverá procurar um Tabelião e pedir (e pagar) a ele para que lavre sua escritura de compra e venda.

Ah, mas antes disso não esqueça de se dirigir até a coletoria municipal e deixar por lá uma pequena proporção do valor do negócio em forma de tributo, um montante que pode chegar até a 3%. Como assim? A casa é de um particular, você a está comprando, o dinheiro foi você quem juntou, e ainda tem que pagar imposto? Sim.

Depois disso retorne ao Tabelião e apresente o tributo recolhido. E agora, a casa já pode ser sua? Não. O Tabelião fará uma exaustiva análise jurídica nos documentos do imóvel e no das pessoas que estão vendendo e comprando. Se estiver tudo certo com todos, a escritura sai. E agora? A casa já é sua? Calma, ainda não.

Você agora deverá visitar o Registro de Imóveis da cidade onde fica a casa, lá você vai entregar ao Oficial Registrador aquela escritura e, após outra análise jurídica ainda mais exaustiva, ele transferirá para você a propriedade da casa. Não esquenta, ele também vai te cobrar por este serviço.

Só depois de feita a escritura e o registro, e apenas nesse momento, a casa será sua. Amém!

Mas péra lá, se foi você que trabalhou, juntou dinheiro, procurou a casa e pagou por ela, porque diabos tanta gente assim interfere no negócio?

Simples, o Estado brasileiro te considera um palerma, um incapaz, e por isso Ele (o Estado) admite que você não pode nem celebrar uma simples compra e venda. Esse assunto por si só já renderia inúmeras páginas de argumentos e mais argumentos, mas em resumo é isso.

Sua liberdade de comprar uma casa é limitada. Isso é feito em nome do que se convencionou chamar de segurança jurídica a serviço do interessa social.

E se você quiser comprar um terreno e construir sua casa dos sonhos? Pode, mas apenas e tão somente após o Estado permitir.

Você precisará de inúmeras licenças: urbanísticas, ambientais, sociais, administrativas, sanitárias, particulares, eclesiásticas, etc. e tal.

Quer um terreno com um curso d’água? Igual ao sítio onde você foi criado? Que lindo, mas será pior ainda. Prepare-se para o inferno burocrático em todo o seu esplendor.

Ah, mas eu sou um comerciante quero implementar meu estabelecimento num determinado local, eu posso? Pode, desde que aquele local seja considerado pelo Estado como adequado para atividade comercial, depois disso e de inúmeras outras tantas licenças, alvarás, autorizações, taxas, vistorias e etc., depois de tudo isso você poderá instalar seu estabelecimento.

Mas porquê tudo isso? Simples: você é um palerma, lembra?

Você já deve estar se perguntando: Caro escriba, você está dizendo que o Estado interfere na minha vida quando eu quero comprar uma casa ou montar um negócio?

A resposta é sim, mas não apenas nessas situações. Em todos os simples momentos da vida há interferência do Estado. Desde o momento do nascimento até depois da morte. Não existe liberdade, nossas escolhas são limitadas, não existe igualdade, não existe justiça, não existe satisfação.

Só existe aquilo que for juridicamente possível, dependendo do caso, do tanto da verba envolvida, de quantos e quais forem os seus amigos certos, e nada mais.

Duvida? Pense comigo: uma pessoa de 16 anos de idade já pode votar se quiser, mas não pode se casar sem autorização. O que é mais grave? Votar ou se casar?

O mesmo adolescente que vota não pode obter uma habilitação para dirigir. O que é mais grave? Votar ou dirigir?

Outro exemplo: uma pessoa com 17 anos, 11 meses e 29 dias de idade, se tirar a vida de alguém, mesmo agindo intencionalmente, não comete crime, pois o Estado o considera incapaz de avaliar as consequências de seus atos.

Mas se no dia seguinte esta mesma pessoa, agora com 18 anos completos, tirar a vida de alguém, responderá com todo o “rigor” previsto na legislação penal.

Ora, o que é mais grave? Matar alguém ou votar, e por meio desse voto transferir para outrem o poder necessário para destruir a vida de milhões?

Evidente que há falhas nesse argumento, pois as coisas não são tão simples assim, há inúmeras variáveis, mas eu considero essas perguntas válidas, pois elas ilustram o meu ponto de vista.

O Estado brasileiro é assim, e tem sido assim desde muito tempo atrás.

Eu e você podemos fazer a diferença! Não perca a esperança!

Quisera eu acreditar nisso, pois durante o curso de Direito descobri que não, nem eu, nem você e nem ninguém, pelas vias legais, pode fazer a diferença.

Sabem o motivo? O sistema brasileiro não é feito para funcionar, ele é feito para manter no poder as pessoas que lá estão, há muito ou pouco tempo. Só importa a manutenção do poder nas mãos certas.

O quanto antes você se der conta e aceitar esse fato, menos sofrimento passará.

Boa sorte, meu caro amigo leitor, pois vivendo no Brasil, a sorte é a única circunstância realmente válida.